quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Câmara dos Deputados aprova fundo eleitoral bilionário com dinheiro público

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Câmara aprova criação de fundo com recursos públicos para bancar campanha eleitoral. Deputados rejeitaram todas as sugestões de mudança ao texto. Como já passou pelo Senado, e não foi alterada pelos deputados, proposta segue para sanção presidencial
Câmara aprova criação de fundo com recursos públicos para bancar campanha eleitoral. Deputados rejeitaram todas as sugestões de mudança ao texto. Como já passou pelo Senado, e não foi alterada pelos deputados, proposta segue para sanção presidencial
O presidente Michel Temer tem 72 horas para sancionar um dos mais polêmicos projetos de lei de sua gestão. Trata-se do PL 8703/17, aprovado na calada da madrugada desta quinta-feira (5) pela Câmara, que cria o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, um caixa com dinheiro público para financiar campanhas eleitorais que pode chegar a 1,7 bilhão de reais.

A proposta já havia sido aprovada pelo Senado — pela proposta original, o fundo poderia chegar a 3,6 bilhões de reais. Para que os partidos possam ter acesso ao dinheiro no processo eleitoral em 2018, as novas regras têm de ser sancionadas até 7 de outubro.

O texto foi aprovado em votação simbólica, em que cada parlamentar não foi obrigado a expor o seu voto. A forma de deliberação gerou um grande bate-boca entre os deputados porque uma parte deles, por ser contra a criação do fundo, queria votação nominal. A questão foi para o plenário, que rejeitou a votação aberta por um apertado placar de 226 votos a 202.

A principal fonte de recursos do fundo serão as chamadas emendas impositivas de bancada, instrumento partidário usado para destinar dinheiro do Orçamento a redutos eleitorais. Ao menos 30% do valor dessas emendas será destinado a campanhas eleitorais. Outra fonte do fundo eleitoral será a isenção fiscal que o governo concede às emissoras de TV e rádio que exibem as propagandas partidárias.

Assim que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), proclamou o resultado, deputados protestaram contra a aprovação simbólica e quase partiram para a agressão física. Um dos que protagonizaram a confusão foi o deputado Julio Delgado (PSB-MG), que foi à tribuna e classificou como “vergonha” a votação não ter sido nominal.

O projeto que agora paira sobre sua mesa coloca Temer numa situação que, em condições normais, seria um grande dilema. Sancionar a lei deve corroer ainda mais sua popularidade, que chegou semana passada à marca de 3%, a menor da história. Vetar o projeto, porém, minaria a popularidade que mais importa para Temer agora: com os deputados que vão definir sobre o prosseguimento da nova denúncia da Procuradoria-Geral da República contra ele, que tramita na Câmara. Não é muito difícil imaginar qual plateia importa mais ao presidente.

Fonte: Exame.com/VG

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EDITOR: verified_user

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