| O uso das mais variadas drogas têm levado a uma crise de saúde pública nos EUA. O uso de opioides no país causa um ’11 de setembro’ em mortes a cada três semanas, matando 142 pessoas por dia |
Para conter mortes por overdose de medicamentos e heroína, os Estados Unidos planejam incentivar o uso de drogas do tipo opioides menos nocivas, como metadona e buprenorfina, entre os americanos que passaram por uma overdose não letal. As informações são da agência ‘Reuters’, reproduzidas pelo ‘G1′.
Sem a indução de abstinência, essas drogas podem ser usadas na transição para o tratamento de abstinência de drogas mais fortes, como o OxyContin – o derivado do oxicodona, análogo sintético da morfina usado para dores crônicas fortes.
A iniciativa é consistente com políticas de redução de danos – que defendem que a substituição de substâncias ajudam a diminuir o uso. A defesa da política, feita pelo FDA (orgão americano equivalente à Anvisa) na quarta-feira (25), é polêmica e pode gerar reações entre os defensores de políticas de abstinência.
O uso de drogas como o OxyContin e heroína têm levado a uma crise de saúde pública nos Estados Unidos. O uso de opioides no país causam um ’11 de Setembro’ em mortes a cada três semanas, ceifando a vida de 142 americanos por dia.
Gottlieb foi chamado à Câmara de Deputados americana para prestar depoimento nos esforços para o combate do problema. A transcrição do depoimento foi divulgada pelo FDA.
Medidas duras
No depoimento, Gottlieb disse que as medidas do FDA serão “duras” – o que pode incluir educação mandatória de médicos e restrições severas na prescrição. Para Gottlieb, a prevenção também não será suficiente – e, por isso, defendeu o uso de drogas menos nocivas.
Gottlieb citou dados do estado de Massachusetts que mostraram uma redução de mais de 50% no risco de morte por sobredosagem entre aqueles tratados com metadona ou buprenorfina após uma overdose, informa a ‘Reuters’.
| Outro caso chocante envolvendo overdose de heroína foi no meio da rua em Memphis, Tennessee. O casal foi flagrado se contorcendo no chão, depois de ter usado a droga |
De acordo com a agência, o plano de Gottlieb reflete sua recente proposta de reduzir a nicotina nos cigarros, ao mesmo tempo que amplia o acesso a dispositivos de entrega de nicotina potencialmente menos prejudiciais, como os cigarros eletrônicos. Ambas as propostas abrangem uma abordagem do abuso de substâncias que visa reduzir o dano ao invés de insistir na abstinência completa.
O presidente Donald Trump deverá declarar a epidemia de opiáceos uma emergência nacional esta semana, dois meses depois de declarar sua intenção de fazê-lo. Não está claro se tal declaração será acompanhada por mais fundos para resolver o problema, diz a ‘Reuters’.
O FDA também emitirá orientação para os fabricantes de medicamentos para promover o desenvolvimento de novos tratamentos que não induzam dependência, informa a agência. O interesse da agência é em produtos inovadores que não deflagrem abstinência.
Diferença entre dependência física e vício
| Em 2016, casal é flagrado drogado e desmaiado no carro, deixando o filho sozinho no banco de trás |
O representante do FDA também defendeu a redução do estigma entre aqueles que precisam da droga, muitas vezes durante a vida inteira, para conter um problema de saúde.
“O estigma reflete uma visão que alguns têm; que um paciente ainda sofre de dependência mesmo quando está em plena recuperação, apenas porque eles precisam de medicação para tratar sua doença”, disse.
No depoimento, o representante do FDA explicou sua posição. De acordo com ele, devido à biologia do corpo humano, todos os que usam opioides por qualquer período de tempo desenvolvem uma dependência física – o que significa que há sintomas de abstinência após a interrupção do uso.
Mesmo um paciente com câncer, diz ele, que requer tratamento a longo prazo para o manejo adequado da dor metastática, desenvolve uma dependência física da medicação opióide.
“Isso é muito diferente de ser viciado”, conclui.
Fonte: G1/VG

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