sábado, 21 de junho de 2014

Maioria dos brasileiros acham Dilma ruim ou péssima e não confiam nela

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Postado por: Valdivan Alves

A avaliação positiva do governo da presidente Dilma Rousseff caiu de 36% para 31% de acordo com a pesquisa CNI-Ibope divulgada ontem. É a primeira vez desde o início de sua administração que Dilma vê o índice de ótimo ou bom ser superado pelo percentual de pesquisados que avalia seu governo de forma negativa. A soma dos que consideram ruim ou péssimo o governo da presidente chegou ao nível recorde de 33%.

Nem mesmo no auge das manifestações de junho do ano passado houve este cruzamento de curvas. A presidente começa a corrida eleitoral lidando com um nível de rejeição a seu governo sem precedentes desde que tomou posse.
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Com esta faixa de aprovação popular e este nível de desaprovação, o segundo turno nas eleições presidenciais de outubro é inexorável, e a pesquisa de intenção de voto do Ibope já sinaliza isso. Dilma obteve 39% das intenções de voto, ante Aécio Neves (PSDB), com 21%; Eduardo Campos (PSB) com 10%; Pastor Everaldo (PSC) com 3%; Magno Malta (PR) com 2% e José Maria (PSTU), com 1%. A soma dos demais candidatos atinge 3%.

Em termos de rejeição, 32% dos pesquisados afirmam que não votariam em Aécio em hipótese alguma. No caso de Eduardo Campos, o percentual é de 33%. Quando se trata de Dilma, a rejeição é diferenciada: 43% afirmam que não votarão nela em qualquer hipótese. Na região Sul, onde vota Dilma, a rejeição é de 56%. No Sudeste, é de 47%. No Norte-Centro Oeste é de 46%. A única região onde a rejeição da petista é baixa é o Nordeste, com 28%.

O nível de conhecimento dos rivais de Dilma ainda é relativamente baixo. Enquanto a presidente é desconhecida por apenas 1%, Campos é desconhecido por 25% dos entrevistados. Aécio é uma incógnita para 20% que diz não o conhecer o suficiente ou não poder opinar.

Aécio tem mais força no Sul, onde empata estatisticamente com Dilma, conseguindo 26%, ante 30% da presidente; e um enorme flanco no Nordeste, uma região do Brasil onde está em terceiro lugar, com 8% das intenções de voto, ante 13% de Campos. Na região, Dilma tem 52%. Do ponto de vista de composição de chapa visando a ganhos eleitorais, a pesquisa mostra que a hipótese do tucano escolher um político do Nordeste para ser seu vice na chapa faz sentido.

A pesquisa mostra que ainda é expressivo o contingente eleitoral de desiludidos com todas as opções. Na pesquisa espontânea, o total que promete votar brancos e nulo atinge 16%, superior à soma das menções de Aécio e Campos. Na pesquisa estimulada, atinge 13%. Nas simulações de segundo turno, oscila entre 19% e 21%. Ainda é um resquício dos eventos de junho do ano passado. Em junho de 2010, pesquisas da época do Ibope mostravam apenas 7% dispostos a votar branco ou anular, menos da metade do patamar atual. A desilusão segue o caminho da oposição: é maior no Sul e no Sudeste, nos segmentos de maior renda e de maior escolaridade.

Dilma deve ser oficializada amanhã candidata à reeleição pelo PT e a pesquisa mostra que a presidente terá uma tarefa árdua para defender seu governo: mesmo com a menor taxa de desemprego aberto da história recente do país, a percepção popular mostra uma desaprovação das políticas do governo para o setor de 57%. A avaliação negativa das políticas governamentais de combate à fome e à pobreza se consolidou com 53% de desaprovação, em que pese a propaganda oficial do “Brasil sem Miséria”. A rejeição ao desempenho governamental na saúde atingiu inéditos 78%, em que pese a aposta da presidente feita no programa Mais Médicos, do ano passado.

Para o gerente executivo de pesquisa e competitividade da CNI, Renato da Fonseca, as quedas na avaliação do governo e da presidente Dilma refletem a insatisfação da população com o quadro econômico do país, mesmo após uma série de anúncios dirigidos a diferentes segmentos da população brasileira, desde beneficiários do programa Bolsa Família a empresários e representantes do setor produtivo.

“A situação econômica não está boa, o consumo e a confiança, e não só dos empresários, mas também dos consumidores, vêm caindo. Nunca estiveram tão baixos os índices”, disse o representante da CNI. “As pessoas estão com baixa confiança, estão com maior preocupação com a inflação, começaram a sentir a inflação, e isso afeta, independente de medidas e dos anúncios”, completou.

A pesquisa também mostrou que as denúncias envolvendo a Petrobras podem estar afetando a imagem do governo. Entre as notícias mais lembradas pelos entrevistados, “corrupção ligada diretamente ao governo federal” foi mencionada por 14% dos entrevistados, atrás apenas das menções a greves (17%), manifestações (36%) e Copa do Mundo (38%).

(FONTE: Valor Econômico)
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